tecnologia

O que falta para a energia solar no Brasil ganhar força?

A energia solar no Brasil tem avançado, mas ainda enfrenta desafios que limitam seu pleno potencial. Com um dos maiores índices de radiação solar do mundo, o país apresenta um cenário propício para a expansão dessa fonte limpa e renovável.

No entanto, questões como regulamentações, infraestrutura e acesso a crédito precisam ser superadas para acelerar esse crescimento. Além disso, é essencial fomentar a adoção da tecnologia por meio de incentivos e políticas públicas.

A ampliação de projetos solares, principalmente em larga escala, é outro ponto que pode impulsionar o setor. A colaboração entre governo, empresas e consumidores será decisiva para a consolidação da energia solar como fonte estratégica no Brasil.

Neste artigo, conheça os fatores que limitam a expansão da energia solar e quais são as oportunidades para acelerar esse processo. Confira!

Panorama atual da energia solar no Brasil

No ano de 2024, o Brasil bateu recorde de novas instalações de sistemas de energia solar, com a adição de 14,3 GW à matriz energética, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Esse avanço elevou a potência operacional acumulada da fonte solar para 52,2 GW, impulsionado por um crescimento de 30% nos investimentos, que somaram R$54,9 bilhões.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que, desse total, 5,62 GW vieram de usinas fotovoltaicas centralizadas, enquanto 8,75 GW foram adicionados pela geração distribuída, com mais de 1 milhão de novas instalações.

O setor avança com rapidez, alcançando residências, comércios e grandes empreendimentos. Ainda assim, o Brasil possui um enorme potencial solar subutilizado, especialmente em regiões com alta incidência de sol e baixa cobertura de sistemas.

O cenário aponta para uma fonte em plena ascensão, com espaço para crescimento sustentável e inovação.

Quais fatores ainda limitam a expansão da energia solar?

Embora o Brasil tenha um dos maiores potenciais solares do mundo, diversos fatores limitam a expansão da tecnologia, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros. 

A seguir, destacamos os principais desafios para a consolidação dessa fonte na matriz energética nacional.

Custo inicial e acesso ao financiamento

O investimento necessário para adquirir equipamentos e realizar a instalação de um sistema fotovoltaico ainda é alto para muitas famílias e pequenos negócios. Apesar do retorno financeiro garantido ao longo dos anos, o desembolso inicial pode ser proibitivo sem linhas de crédito acessíveis.

O acesso ao financiamento, embora crescente, ainda é limitado e concentrado em determinadas faixas de renda ou perfis empresariais.

Muitas vezes, a burocracia bancária e as taxas de juros tornam o crédito inviável, fazendo com que a energia solar siga como uma alternativa mais presente nas classes médias e altas. 

Burocracia nos processos de regulamentação e conexão

A expansão da energia solar esbarra em entraves burocráticos, principalmente nos processos de regulamentação e conexão à rede elétrica. Em diversas regiões, os trâmites são lentos, pouco digitalizados e sem padronização entre concessionárias, gerando incertezas para consumidores e investidores.

A falta de transparência nas operações e a carência de suporte técnico por parte das distribuidoras aumentam a complexidade. Em municípios do interior, o problema se agrava, dificultando a adesão de novos usuários. 

Falta de incentivo em escala nacional

Apesar dos avanços do setor, o Brasil ainda carece de políticas públicas robustas e contínuas para incentivar a energia solar em todas as escalas. A ausência de incentivos fiscais amplos e programas federais de estímulo à micro e minigeração distribuída limita o alcance da tecnologia.

Muitos estados e municípios criam políticas locais, mas sem uma articulação nacional, os impactos são desiguais, acarretando em disparidades regionais e incertezas regulatórias, o que desmotiva investimentos de longo prazo.

A criação de uma política federal consistente poderia acelerar a inclusão da energia solar na vida de milhões de brasileiros e, um plano nacional estratégico, seria decisivo para destravar o setor.

Baixa qualificação técnica em algumas regiões

A falta de profissionais capacitados é outro obstáculo importante para o crescimento da energia solar no país. Em muitas regiões fora dos grandes centros urbanos, há escassez de mão de obra técnica qualificada para projetar, instalar e fazer a manutenção dos sistemas fotovoltaicos.

Essa situação compromete a qualidade das instalações e acarreta insegurança nos consumidores, além de limitar o surgimento de novos negócios locais ligados à cadeia solar. 

Investir em capacitação e formação técnica regionalizada assegura a sustentabilidade do setor, amplia o acesso a cursos profissionalizantes e programas de treinamento e gera emprego, renda e confiança no mercado.

>> Fique por dentro das inovações que estão transformando a indústria eletrônica. Baixe nosso ebook exclusivo!

Oportunidades para acelerar a adoção da energia solar

A energia solar tem se consolidado como uma das principais fontes renováveis no Brasil, mas seu verdadeiro potencial ainda está longe de ser totalmente explorado.

Ampliar o acesso e acelerar sua adoção exige identificar e investir em oportunidades estratégicas, tanto do ponto de vista financeiro quanto tecnológico e regulatório.

Segundo estimativas da SolarPower Europe, principal entidade europeia voltada ao setor fotovoltaico, o Brasil tem capacidade para adicionar mais de 100 GW em energia solar nos próximos cinco anos.

O estudo aponta que, entre 2024 e 2028, o país deve figurar entre os cinco mercados com maior expansão na capacidade instalada dessa fonte.

Para que esse cenário se concretize, é fundamental fortalecer mecanismos que tornem a energia solar mais acessível, eficiente e sustentável.  Listamos algumas dessas ações: 

Expansão das linhas de crédito específicas para energia solar

Atualmente, muitas famílias e pequenos empreendedores ainda enfrentam dificuldades para financiar a instalação de sistemas fotovoltaicos, devido a juros altos ou exigências burocráticas. 

A criação de linhas de crédito específicas, com taxas atrativas e prazos mais longos, pode democratizar o uso da tecnologia. Bancos públicos e privados têm um papel estratégico ao desenvolver produtos financeiros voltados para o setor solar.

Além disso, programas de fomento com subsídios ou garantias de risco podem atrair mais investidores. 

Crescimento dos consórcios solares e geração compartilhada

O modelo de consórcios solares e a geração compartilhada representam alternativas inovadoras para quem deseja utilizar energia solar, mas não tem condições de instalar um sistema próprio.

Nesses formatos, diversos consumidores se unem para financiar ou consumir a produção de uma mesma usina solar, tornando o acesso mais democrático.

A regulamentação vigente permite que a energia gerada em uma localidade seja compensada na conta de luz de unidades consumidoras participantes, mesmo que estejam em outros endereços.

Incentivar essa modalidade, com maior divulgação e simplificação dos processos, pode ampliar o alcance da energia solar em regiões urbanas e rurais.

Fortalecimento das cooperativas solares com apoio legislativo

As cooperativas solares são uma solução coletiva e ágil para levar energia limpa a comunidades, produtores rurais e pequenos empreendedores, permitindo que grupos organizados compartilhem os custos e os benefícios de uma usina solar, promovendo a inclusão energética.

No entanto, a atuação dessas cooperativas depende de maior segurança jurídica e incentivo legislativo. Políticas públicas específicas, apoio técnico e isenções fiscais estimulam a criação e a consolidação dessas iniciativas.

É preciso assegurar que a regulação do setor reconheça e valorize o papel das cooperativas na transição energética. Com mais apoio institucional, esse modelo pode impulsionar o acesso à energia solar de forma coletiva e sustentável.

Avanços tecnológicos que reduzem custos e ampliam a eficiência

A evolução das tecnologias fotovoltaicas contribui para tornar a energia solar mais competitiva e atrativa.

Painéis mais eficientes, inversores inteligentes, sistemas de armazenamento de energia e soluções de monitoramento diminuem os gastos operacionais e aumentam a produtividade dos sistemas.

A adoção de novos materiais e o avanço da indústria nacional também ajudam a minimizar a dependência de equipamentos importados. A incorporação tecnológica, aliada à inovação em modelos de negócio, acelera a adoção da energia solar em diferentes segmentos da sociedade. 

O papel da energia solar na transição energética brasileira

A energia solar no Brasil possibilita a descentralização da geração elétrica, aproximando a produção do consumo e, com isso, reduzindo perdas no sistema de transmissão, que é um dos principais gargalos da matriz atual.

Ao viabilizar sistemas distribuídos em telhados, fachadas e terrenos, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros urbanos, a energia solar contribui para democratizar o acesso à energia limpa.

Como fonte renovável e de baixo impacto ambiental, a energia solar também apoia as metas de descarbonização do país, diminuindo a dependência de fontes fósseis e ajudando a cumprir os compromissos climáticos assumidos internacionalmente.

>> Continue se atualizando:  baixe agora o ebook ‘Neoindustrialização e o futuro da produção no Brasil e aprofunde-se nesse cenário de transformação.

Marcelo Gouvea

Gerente Comercial PRODUZA S/A

Posts recentes

Testes funcionais: como e por que devem ser feitos?

A adoção de testes funcionais tornou-se indispensável para assegurar confiabilidade, performance e conformidade em ambientes…

2 dias atrás

Descarga eletrostática: o que é e como evitá-la

A descarga eletrostática (ESD) é o fenômeno causado pelo acúmulo e liberação repentina de energia…

1 semana atrás

Time to market o que é e suas vantagens para a indústria

Na indústria moderna, a velocidade com que um produto vai da concepção ao mercado pode…

2 semanas atrás

Crescimento da indústria eletroeletrônica: números importantes 

O crescimento da indústria eletroeletrônica reflete os avanços em tecnologia. A transformação digital, a automação…

3 meses atrás

Planejamento da qualidade na indústria: como fazer de forma mais eficiente? 

O planejamento da qualidade é uma etapa estratégica para garantir que produtos e processos industriais…

4 meses atrás

Tudo sobre Projeto Turn Key

Investir num projeto Turn Key é uma opção para reduzir custos e garantir qualidade do…

4 meses atrás